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19 a 25 de setembro de 2011

Khmer

É o nome da língua oficial e do grupo étnico predominante do Camboja. O Império Khmer dominou a região que hoje equivale à Tailândia, Camboja, Laos e Vietnã (Indochina) entre os séculos IX e XIII. Boatos dizem que foi de lá que vieram os ancestrais do Maluf (rsrs), pois foi nesta época que ocorreu um grande desenvolvimento local por meio da construção de templos, canais de irrigação, hospitais, represas e rodovias. Porém, as construções dispendiosas, as epidemias, as brigas internas da família real e as guerras com os tailandeses enfraqueceram esse Império. Forças tailandesas ocuparam a cidade de Angkor (ops, meio redundante, já que angkor, no sânscrito nagara, significa cidade) em 1432, iniciando um período de 400 anos onde os khmers sofreram sob a agressão tailandesa e posteriormente vietnamita. Durante esse tempo o território do Khmer foi pulverizado. No século XIX, o Estado do Camboja tornou-se colônia francesa, também sendo ocupado pelos japoneses durante o período da Segunda Guerra Mundial. O imperador Sihanouk proclamou a independência do Camboja em 1953, que foi reconhecida pela França em 1954, ao mesmo tempo que a colonizadora perdeu a Guerra da Indochina (provocada pela independência do Vietnã 10 anos antes).

Entendendo onde estamos…

Bom, deu pra perceber que o Camboja tem uma história de muito conflito interno e externo, e talvez seja por isso que, hoje, metade da população tem menos de 15 anos. Além disso, em regiões mais afastadas, é muito comum ver homens mutilados que não tem dinheiro para uma cadeira de rodas, mendigando pelas ruas. O Camboja é um país predominantemente agrícola (que representa 34% do PIB, sendo focadíssimo no arroz, já que suas terras são totalmente inundadas), com pouca industrialização e baixa renda per capita (US$ 830 em 2010 – lembrando que no Brasil é US$ 10,000), mas com um crescimento anual de 5 a 7% (como toda a região do sudeste asiático). 40% do PIB é proveniente do setor de serviços, no qual o turismo tem um papel importantíssimo. Dá pra perceber isso ao chegar em Siem Reap ou Sihanoukville, onde todo mundo fala inglês (principalmente as crianças que irresistivelmente abordam os turistas) e tudo é cobrado em dólar americano.

Ô, simpático!

De qualquer maneira, não custa saber como cumprimentar as pessoas na língua local: johm reeuhp soouh.

SIEM REAP

Apesar da capital do Camboja ser Phnom Pehn, a cidade mais visitada no país é Siem Reap, por abrigar em suas redondezas as ruínas do grande império Angkor que predominou na região entre os séculos IX e XIII e foram destruídos pelo pessoal de Ayutthaya (Tailândia). Os templos de Angkor foram considerados Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1992 e são a oitava maravilha do mundo. Isso explica os corredores de hotéis cinco estrelas na entrada da cidade e o aeroporto que mais parece uma galeria de arte, toda cheia de obras e iluminação indireta.

Primeiras impressões de Siem Reap

– No aeroporto, os oficiais que concedem o visto na maior disciplina, silêncio e organização. Dá pra dar uma intimidada! Não é que nem a feira que é a Polícia Federal na imigração brasileira, com as muié conversando sobre novela e escândalos familiares em alto e bom som, numa distância de 3 a 4 guichês, enquanto checam seu passaporte.

– Ganhei um transfer/free pick-up do hostel! O motorista estava nos esperando com uma plaquinha com meu nome na saída do aeroporto! Que lindo! Mas, na hora de entrar no carro, não era um carro. Era um tuk tuk engraçado, tipo um carretinho puxado por uma motinho. E as malas iam ali em cima, podendo cair a qualquer segundo. Só lembro da recomendação da Joyce: “Cris, nesta viagem eu me concentro em me organizar mais, e você se concentra em confiar mais. Confia que não vai cair”. E daí fomos.

Motorista do tuktuk nos recebendo no aeroporto.

– Ruas de asfalto esburacadas ou de terra. Imensas poças d´água, mas não estava chovendo. Muito calor.

Custo médio

Na maior parte dos estabelecimentos, cobra-se diretamente em dólares, mas também é possível pagar na moeda local.
– Almoço exigente: US$ 5 a 7 (com bebidas)
– Almoço simples: US$ 2 a 3
– Tuk-tuk para o tour em Angkor Wat: US$ 25 a 40 (compartilhável em até 4 ou 6 pessoas)
– Chope na PubStreet, durante o Happy Hour: US$ 0,50
– Vestidinho no mercado: US$ 5
– Barco para a Vila Flutuante: US$ 20
– Canoa na Vila Flutuante (da comunidade): US$ 3
– Aluguel de bicicleta: US$ 1 a 2 a diária
– Cerveja Angkor 600ml: US$ 1 a 2
– Água 1l: US$ 0,50 a 2

Melhor comida da viagem inteira!

Siiimmmm!!! Depois de tanta fritura e esquisitice na Tailândia, finalmente nos vimos mergulhadas em cardápios cheios de gostosices! A culinária cambojana é maravilhosa. Assim como na Tailândia, também tem muitos pratos puxados para o agridoce e muitas opções de fritura (arroz e macarrão), mas em qualquer lugar era possível comer um peixe assado na folha de bananeira (famoso AMOK fish), uma salada com peixe desidratado (SMOK fish), sopas típicas ou churrascos de carnes exóticas cheeeeios de legumes. Ufa…

Pub Street

É o vucovuco de Siem Reap. A rua e seus arredores são lotados de barzinhos e restaurantes – alguns super finos, outros mais roots. Entre eles, casas de massagem, lojinhas de artesanato e roupas super descoladas. Não me concentrei na parte das aquisições materiais, mas com certeza, se eu voltasse para esses países seria lá onde eu teria concentrado a maior parte das minhas compras! Não deixe de experimentar o famoso peixe (ou frango) agridoce servido dentro do abacaxi ou os churrascos orientais (BBQs), compostos por carnes exóticas (sapo, crocodilo, cobra, etc) e envoltos por uma sopa deliciosa!

Palavra é coisa séria

Essa história de “passa lá em casa depois”, ou “vamos marcar alguma coisa!” não cola por lá. Em todos esses países, e principalmente no Camboja, a palavra é coisa séria. Se você diz pra um vendedor “depois eu volto”, é pra voltar mesmo. Se diz “agora estou sem dinheiro, amanhã eu compro”, no dia seguinte precisa levar a mercadoria embora. Isso porque o povo cambojano considera um sério insulto se você não cumprir sua palavra, mesmo que você tenha dito apenas para ser simpático. É melhor ser grosso, mas sincero. Se não gostou, diga que não se interessou. Pronto. (passamos muita vergonha – e pressão – no Camboja e na Indonésia por causa disso…)

Angkor Wat

Passeio obrigatório. Todos recomendam o pacote de três dias, mas fizemos tudo em um dia só. Há também o de sete, mas não faço ideia do que tem pra fazer em uma semana naquele lugar… Na verdade, demos sorte. E azar. Os dois. Estava chovendo muuuito. Este foi o motivo para a cidade não estar muito cheia e, consequentemente, a região dos templos de Angkor ter poucos grupos de japoneses (ou, hoje em dia, mais chineses) portando imensas máquinas fotográficas. O motorista do tuktuk que nos acompanhou o dia inteiro disse que, normalmente, aquilo é tão lotado que mal dá para tirar fotos. Bom para nós! Mesmo ensopadas, parecia que estávamos em outro planeta, ou pelo menos outra época. Às vezes, parecia que só tinha a gente ali, e que na verdade era tudo um filme. Em muitos momentos, só o silêncio gritava alto, tentando se sobrepôr ao barulho da chuva. Vale muito a pena: o cheiro, o som, a vista, a paz, o espírito.

The Siem Reap Hostel

Grande, ficamos no quarto andar para alegria de nossas coxas titânicas. Tem piscina e bar, onde os gringos ficam enfurnados em vez de sair pela cidade à noite.

Floating Village

É possível visitar somente nas épocas de monções, quando o lago de Tonle Sap passa de 2.500 m² para 12.000 m². Neste período, florestas e vilas ficam submersas, e seus moradores, já acostumados, se viram muito bem, obrigada. Este foi um dos passeios que mais me tirou o fôlego. Tudo começa por uma pequena viagem de tuktuk na estrada de terra, passando por casas de palafitas cercadas por vacas e crianças voltando da escola de bicicleta. No deck, compra-se a passagem do barco motorizado, pelo qual se entra lago adentro. Aos poucos você percebe que aquele mato flutuando na água na verdade são copas de grandes árvores. De repente, um posto policial. Um mercadinho. Uma igreja. E uma vila inteira flutuando sobre aquela água infinita. Adolescentes voltando da aula, uniformizadas e remando suas canoas. Adultos voltando da cidade, com suas canoas cheias de legumes, frutas, cordas, vasos, baldes. Velhinhas varrendo as casas. Crianças peladinhas, acenando com pequenas mãozinhas e armando sinceros sorrisos, mesmo que façam isso o dia inteiro, por várias semanas. Mas a parte mais surpreendente vem a seguir, quando você é convidado para sair do barco motorizado e passar para uma canoa muito rasa, “pilotada” por uma pessoa da comunidade – no nosso caso, uma jovem senhora, simpaticíssima, mas que não falava nada em inglês. Não fez nada mal – o silêncio foi o melhor companheiro para adentrar a floresta flutuante. Percorrem-se as copas das árvores, e o tempo todo é necessário desviar dos galhos à frente. Sem palavras – foi realmente de tirar o fôlego! Na volta, almoçamos em uma das casas flutuantes. Pelos olhares trocados, provavelmente era dos pais da namoradinha do jovem motorista do nosso barco…

Passeio de bike

No nosso hostel, a diária da bicicleta custava dois dólares. Caro? Alugamos por 1 dólar no hostel ao lado. Pegamos a magrela para ir até os templos de Angkor assistir ao pôr-do-sol, cerca de 6km de distância. Sabíamos que, a partir das 17h, o parque era liberado para visita gratuita até as 18h. Só não sabíamos que as famosas fotos de cartão-postal eram, na verdade, o nascer-do-sol. Isso valeu um retorno muito corrido (e, no meu caso, com o pneu furado…), pois a nuvem mais negra que conheci em toda a minha vida avançava sobre as nossas cabeças com uma rapidez impressionante. Sim, essas são as T-storms (ou tempestades tropicais). Não bastasse a chuva que pegamos quando terminamos a estrada e chegamos à cidade, nos perdemos por um bom tempo e não conseguíamos encontrar o hostel de modo algum. Perguntar para as pessoas na rua significava receber cantadas bem machistas. Por que nessas horas só tem homem na rua?

Enchentes, ou a famosa T-storm

Tempestades como essa não necessariamente significavam chuvas fortes, mas implicavam em grandes inundações. As ruas viravam uma só “poça” d’água, invadindo aos poucos as casas e estabelecimentos. Crianças brincavam nas ruas-rios.

Fotos de Siem Reap em: http://www.flickr.com/photos/cris_gal/sets/72157627587850747/

SIHANOUKVILLE

Tinha que ter visto o visto antes. Foi por falta de informação que perdemos um vôo para o Vietnã – quando chegamos ao aeroporto de Siem Reap para fazer o check in, fomos informadas que, para entrar no próximo país deveríamos ter o visto tirado com antecedência de ao menos 24h. Acontece que, no Brasil, fui informada por duas fontes diferentes que o visto poderia ser tirado na chegada ao país, como foi no Camboja e na Indonésia. Mas não… Assim, após um bom tempo de indignação, reclamação, busca por alternativas e muita reflexão, optamos por perder os dois vôos (Siem Reap x Ho Chi Minh e Ho Chi Minh x Kuala Lumpur), ficando mais 3 noites no Camboja e indo diretamente para a Malásia. Como destino deste novo período, escolhemos a pequena cidade litorânea do sul do país: Sihanoukville.

Trajeto

Um pouco doloroso. Primeiro, um ônibus noturno de Siem Reap a Phnom Pehn. Uma noite na capital do país, e seguimos no dia seguinte a Sihanoukville, num percurso que nos custou o dia: das 10h às 16h. Por outro lado, foi um trajeto bem ‘roots’, o que nos rendeu ótimas observações do povo cambojano. Uma das melhores partes foi a parada do ônibus, onde a Joyce comprou um ramo de goiabas, enquanto eu me preservei com fome para evitar dores de barriga num veículo sem banheiro. Os demais passageiros, no entanto, não se acanharam: pãozinho tipo chinês e espetinhos de ovo e de banana eram algumas das especialidades preferidas, que vinham embrulhados aos montes em sacos plásticos diretamente para o bolsão de trás das poltronas.

23/9/2011 - A day-long bus trip to SIHANOUKVILLE (Cambodia)

23/9/2011 - A day-long bus trip to SIHANOUKVILLE (Cambodia)

23/9/2011 - A day-long bus trip to SIHANOUKVILLE (Cambodia)

23/9/2011 - A day-long bus trip to SIHANOUKVILLE (Cambodia)

23/9/2011 - A day-long bus trip to SINAHOUKVILLE (Cambodia)

Monkey Republic

O hostel desejado e muito bem indicado pelo guia do Lonely Planet não aceitava reservas com antecedência. Segundo eles, as pessoas reservam por um ou dois dias, e acabam ficando uma semana. Então, seguem o mesmo fluxo de volatilidade. Por sorte, conseguimos um bangalô para nós. Sem água quente, como todos os demais quartos. O hostel estava lotado. Com a chuva lá fora, nos detivemos a comer e tomar uns drinks no hostel, algo que se estendeu até a madrugada. Ao contrário de nós, parece que os viajantes não estavam a fim de muita exoticidade – no hostel, as panelinhas agrupavam europeus com europeus, e os procedentes de países em desenvolvimento que se contentassem com cantadas e papos pontuais dos bêbados. Fui dormir quando isso começou a acontecer, com um pouco de raiva da atual divisão internacional do trabalho.

Serendipity Beach

O tempo resolveu não melhorar muito, apesar da chuva ter se resguardado a partir da nova manhã. Deu pra curtir o ambiente tranquilo e, ao contrário de nossas expectativas, totalmente estruturado para receber visitantes. Com a praia vazia, nossos amigos ambulantes faziam rodas em torno dos poucos estrangeiros alocados em uma das inúmeras espreguiçadeiras na areia. Desliguei um pouco a recusa automática para fazer a depilação da sombrancelha com linha (no melhor estilo egípcio), depois de terem depilado minha perna quase inteira como ‘amostra grátis’.

24/9/2011 - Sihanoukville (Cambodia)

24/9/2011 - Sihanoukville (Cambodia)

24/9/2011 - Sihanoukville (Cambodia)

24/9/2011 - Sihanoukville (Cambodia)

24/9/2011 - Sihanoukville (Cambodia)

24/9/2011 - Sihanoukville (Cambodia)

Após um breve retorno no hostel para o banho e o check out, retornamos à praia por volta de 16h. Foi daí que tivemos a terrível sensação de saudade antecipada: as poltronas e pufes dos bares e restaurantes à beira-mar haviam sido todos deslocados para a areia da praia, onde postes erguiam varais de luzes por toda a sua extensão. Nossa vontade era a de deitar ali e passar a noite em claro naquele ambiente maravilhoso… Mas o ônibus das 19h45 nos aguardava, para nos despejar às 7h da manhã de volta a Siem Reap.

24/9/2011 - Sihanoukville (Cambodia)

24/9/2011 - Sihanoukville (Cambodia)

24/9/2011 - Sihanoukville (Cambodia)

Mais fotos de Sihanoukville em: http://www.flickr.com/photos/cris_gal/sets/72157627636323571/.

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